O Cheiro e o Sentido do Olfato

Por Diogo Silva

Deixe-me dizer-lhe quão necessário é o sentido do olfato e como você, muitas vezes sem notar, é influenciado pelos cheiros.

Depois de ter passado algumas horas fazendo compras dentro de lojas com ar viciado e em más condições de iluminação numa grande cidade, você se sente indisposto e com dor de cabeça. Você deixa a cidade e vai passear num bosque de pinheiros. Aos poucos, a dor de cabeça desaperece e você se sente bem novamente. Você aspira profundamente o ar, diferente do que deixou lá na cidade e se sente reanimado outra vez.

A respiração superficial dá uma sensação de medo e de falta de ar porque muito pouco oxigênio está sendo enviado ao nosso corpo. O cheiro dos pinheirais estimula a respiração e, com a inalação profunda, acionamos um processo de reações em cadeia no nosso organismo.

Observe agora mesmo vá sua respiração. Suponhamos que você esteja passeado nessa floresta de pinheiros: um vento fresco sopra, o ar está pleno de odores de cipreste, pinheiros, flores e grama. Como você está se sentindo?

Os aromas têm, em geral, uma ação estimulante, rápida. Recorde-se, neste momento, como é respirar o perfume de uma rosa exuberante. quem é que não conhece alegria e a satisfação proporcionada pela leveza do ar impregnado de seu perfume, preenchendo os pulmões? todas as fisionomias se modificam de imediato e alegria transparece um pouco mais. É como se o coração se dilatasse e se abrisse. Este é um exemplo corriqueiro de como os odores influenciam os nossos sentidos.

Quem não sente a boca cheia d’água ou quem não conhece uma repentina sensação de fome que se instala tão logo passamos defronte de uma padaria que oferece seus pães frescos, ou diante de um balcão de petisco? Experimente também imaginar o cheiro do prato de sua preferência. Você pode sentir como o apetite e a fome são estimulados?

Quando sentimos o cheiro de alimentos e de bebidas, o corpo começa igualmente a se preparar para receber o alimento e para digestão. Em correspondência aos cheiros assimilados, o suco gástrico e as animação aumenta. Por outro lado, cada um de nós já vivenciou o que acontece e o que não acontece quando, por exemplo, se está resfriado: não sentimos os cheiros, não temos apetite, e nada está gostoso como antes. Ou seja, o nosso sentido do paladar só consegue distinguir entre o doce, e o azedo, o salgado e o amargo. A maioria das partes do prazer de comer e beber é conseguida através do nariz – pelo olfato! Sem o sentido do olfato, pouca diferença haverá em comer uma maçã ou uma pera – tudo teria um sabor igual e a consistência parecida.

Todos conhecemos a expressão: “Não suporto o cheiro de fulano”, com a qual declaramos que não gostamos de determinada pessoa ou temos alguma dificuldade a seu respeito. Porém, é muito provável que nós, inconscientemente, no mais exato sentido da palavra, não a suportamos devido ao seu cheiro o odor. Cada pessoa tem o seu odor característico, individual, que se modifica conforme seu estado de saúde ou disposição. Amor, alegria,agressividade,raiva, desgosto, doença, todas essas situações tem sua conotação específica de cheiro. Esse cheiros são emanados individualmente pelas pessoas e receptados por outras a uma distância acessível.

O cheiro é, portanto, uma das razões pelas quais nos sentimos magneticamente atraído por outras pessoas. Através da transpiração, como condutora de odores, também são filtrados os odores hormonais que estimulam as nossa sexualidades e consequentemente, também a do parceiro. A sensualidade é uma experiência relacionada com o cheiro detectado pelo olfato e, em grande parte,dele dependem não só os animais como também os homens.

O cheiro é uma molécula que se desprende do seu portador e que flutua no ar. Na parte superior do nariz, o órgão do olfato, situa-se a membrana olfativa, com cerca de 100 milhões de células olfativas e perto de 600 milhões de filamentos capilares,finos “sensores”que distinguem qualquer odor. Todas as vezes que respiramos, o ar enriquecido por moléculas odoríferas passa pelos filamentos capilares e que nos provê com as mais diversificadas informações odoríferas , a membrana olfativa faz parte do sistema neurológico central e situa-se no ponto de contato direto com o mundo exterior. A percepção dos sentidos atinge o cérebro sistema límbico.

O sentido do olfato situa-se também numa parte do cérebro onde igualmente se aloja o tesouro das recordação. Assim, torna-se possível a obtenção de informações cruzadas entre as informações de cheiros atuais e as de odores que reavivam antigas lembranças. Podemos reviver uma disposição de espírito singular, ver paisagens, rostos e situações de velhos tempos. Pensamos, por exemplo naquela refeição da qual não gostávamos quando crianças e cujo cheiro agora, adultos, ainda nos repugna. Ou o cheiro da mãe ou de um ente querido do qual jamais nos esqueceremos durante a vida, e que às vezes nos aproxima de outras pessoas,só porque o perfume dela nos faz recordar o perfume de outrora.

Na área encefálica limbica partem igualmente a criatividade e a vontade de viver, bem como todas vitais do corpo ( respiração, digestão, circulação, funcionamento das glândulas hormonais e a imunologia). Um cheiro pode,portanto atuar também diretamente nessas áreas e diluir as reações correspondente no corpo e no espírito. Alguns cheiros estimulam a concentração, o raciocínio, a clareza espiritual e a criatividade; são estas as mesmas fragrâncias que , na sua maioria, nós causam prazer, mesmo que não estejamos conscientes disso. Procure os aromas que mais o extasiam e estimulam!

Guia completo de aromaterapia – Erich Keller – 1989

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