A Arte dos Perfumes

Por Diogo Silva

O nome perfume vem do vocabulário latino perfummare, com a significação encher de fumaça. Originalmente eram os perfumes produzidos exclusivamente pela queima de incensos.

Egito-4500 aC Perfumes produzidos exclusivamente pela queima de incensos.

Desde os tempos mais remotos, os perfumes relacionavam-se com rituais e cerimônias religiosas. Os povos orientais usavam madeiras e resinas aromáticas como oferenda aos seus deuses. Os egípcios preparavam uma mistura de madeira (Estoraque, Ônique e Gálbano) finalmente trituradas e aglutinadas com mirra e azeite de oliva. Essa mistura era queimada nós templos, durante as cerimônias ritualísticas. Provavelmente a mesma composição usava pelos hebreus e relatada nos livros de Êxodos (30,1e 2)

O novo testamento relata a adoração de três sábios orientais (reis magos) diante do menino Jesus, ofertando- lhe o que possuíam de mais valioso: ouro, incenso e mirra.

Ouro, Incenso e Mirra.

Os unguentos bíblicos preparados segundo a tradição mosaica representaram um grande avanço na arte dos perfumes e são considerados os percursores da antiga Perfumaria.

Os evangelistas Mateus, Marcos e João descreveram a adoração de Maria que,trazendo em um vaso de alabastro cerca de 430 gramas de unguento de nardo – o mais raro e valioso perfume da antiguidade – ungia a cabeça e os pés de Jesus, durante um jantar na casa de Lázaro, em Betânia.

Considerados sagrados pelos chineses, os gravetos de cássia usados por determinados pássaros na confecção de seus ninhos, deram origem a muitas lendas e crenças. Entre elas a de que qualquer homem que conseguisse retirá-los de um ninho de águias, poderia considerar-se abençoado e merecedor de eterna saúde e prosperidade.

Nós primeiros anos da Era Cristã, alguns povos tentaram substituir por especiarias aromáticas,o valor pecuniário do sal, utilizado como moeda corrente. Os gregos e romanos mostraram- se tão aficcionados por perfumes que lhe atribuiam valor superior ao da seda pura e, até ao do ouro.

No anfiteatro romano, durante os espetáculos, costumava-se manter o ar ambiente constantemente purificados, fazendo-se correr,das fontes de mármore, as águas perfumadas com óleo essenciais puros. Constituia-se numa demostração de poder e riqueza do grande Império.

A nobreza romana disputava a peso de ouro os melhores artesãos perfumista, para desfrutar com exclusividade das mais raras fragrâncias que eles elaboravam. Foi assim que Frangipanni se tornou, na idade média, o perfume mais famoso. A ponto de o próprio nobre emprestar- lhe o ilustre nome.

Foi na Índia e Arábia que surgiram os primeiros perfumistas medievais. O médico árabe, Abu Ali al-Hysayn Ibn Sina ( 980- 1037),conhecido como Avicena,descobriu por acaso os princípios básicos da destilação a vapor, enquanto pesquisava poções medicinais com flores e madeiras aromáticas. Essa descoberta propiciou, mais tarde, não apenas a obtenção rápida de muitos óleos essenciais mas, sobretudo, a fabricação do álcool – conhecido no século XVIII como espírito de vinho – utilizado até hoje na preparação de perfume.

Abu Ali al-Hysayn Ibn Sina ( 980- 1037) conhecido como Avicena.

Os óleos essenciais e especiarias, empregados nos perfumes europeus,eram oriundos do oriente. Somente após as Cruzadas, a milenar arte de elaboração dos perfumes, transferiu- se do seu berço oriental para Inglaterra, França e posteriormente Alemanha. Estes países aperfeiçoaram- na, desenvolveram novas técnicas de cultivo e colheita de plantas aromáticas,criaram novos processos de extração de óleos essenciais e conseguiram novas composições aromáticas.

No continente americano, o uso de perfumes chegou com os colonizadores europeus. Todos os produtos comercializados no Novo mundo procediam da Europa. A fabricação de perfumes começou no Brasil, no final do Século XIX. Até hoje os perfumes fabricados na Américas, dependem de 90% das matérias – primas importadas de países europeus e asiáticos.

Ferreira, Francisco Marco. A Arte dos Perfumes: Técnicas e Segredos da Alquimia dos Aromas/Francisco Marco Ferreira. São Paulo: Editora Cinco,2000

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